Te apresento um trecho do que vem a ser uma trilogia curiosa e cativante. Semanalmente você poderá conhecer mais um pedaço do e-book já disponível na loja. O propósito é incentivar a leitura e, ao mesmo tempo, divulgar o livro digital, que inicia com a seguinte abordagem:

O Novo sucedeu o velho e insuportável mundo. Um tempo de excesso e escassez simultâneos. No antigo mundo, o valor de um indivíduo era medido por seu acúmulo, as pessoas eram reflexos das suas posses, status e número de seguidores. O tempo era raridade; a pressa, virtude; o outro, um obstáculo.
Ainda no contexto passado, as relações humanas e suas escolhas tornaram-se desprovidas de áurea e os laços foram substituídos por contratos. O alimento, por ultraprocessados. A educação, por adestramento técnico. A política, por espetáculo. A saúde, por lucro.
A ruptura não aconteceu por meio de revolução. Veio como esgotamento. E foi nesse cansaço coletivo que se plantou, em uma comunidade, a semente de Nova Aurora, contrapondo a visão de que a sociedade é um inquestionável subproduto de sua estrutura econômica, cujo modo de produção dita invariavelmente a consciência dos seres.
Nova Aurora propõe que o verdadeiro motor da história não reside nas ferramentas ou na posse dos meios de produção, mas na vontade humana como alicerce primordial. Enquanto o pensamento tradicional, influenciado pela dialética marxista, via na economia e na organização do trabalho o eixo central de toda a superestrutura, esta nova comunidade reconhece que as engrenagens da convivência só giram quando movidas por desejos naturalmente nutridos.
Como bem definiu Thomas Hobbes ao explorar as sensações humanas, a relação com a sua imaginação e sequência de pensamentos, é o pulsar interno do indivíduo que precede qualquer contrato social, tornando a vontade pessoal o primeiro degrau da arquitetura coletiva. Contudo, aqui não se defende a ideia de um grande ser independente e controlador do indivíduo em seu estado de natureza, pois acredita-se que a ética é também fruto da sua percepção de mundo.
Dessa forma, a base de Nova Aurora não é material, mas transcendental. A vontade humana aqui não é deixada ao acaso; ela se orienta por uma ética e também pela percepção do sagrado, para firmar-se no reconhecimento de um propósito maior. É essa crença, traduzida em compromisso com a perfeição e no respeito ao ser que habita o outro, que substitui a coerção econômica pela responsabilidade voluntária. Assim, o novo mundo deixa de ser um campo de batalha de classes para tornar-se um espaço onde a ação individual, inspirada por valores transcendentes, sustenta uma estrutura que a lógica material e puramente produtivista jamais foi capaz de alcançar.
Nova Aurora surge como a esperança de uma comunidade isolada e que nasceu para contrapor o que se conhece do mundo antigo, sem perder de vista aquilo que entende-se como benéfico para o convívio humano.
